Seus argumentos racionais não vão funcionar para vender para o sentimento. No final das contas, quem toma a decisão é o coração, o cérebro só arruma a desculpa. Isso é storytelling.
Mentira.
Na verdade, storytelling – ou narrativa, ou contação de histórias, ou, simplesmente história da marca é muito mais do que isso.
O storytelling é o responsável por fazer com que a sua empresa, seus produtos e sua cultura criem um elo, um vínculo, uma ligação com consumidores. Com pessoas que têm interesse, ou poderiam ter, naquilo que você faz.
O storytelling faz com que você não seja mais uma opção de fornecedor. Ele torna você único por exaltar aquilo de único que você sabe fazer.
Fantástisco, não?
Na verdade , nem tanto.
Há séculos atrás, quando o escambo era o dinheiro, as pessoas se relacionavam através de histórias. Por isso, storytelling é antigo.
Quando um camponês ia oferecer uma parte de sua plantação de trigo em troca de um pouco de sal, de ovos, ou de algum animal, ele não simplesmente chegava e trocava o seu produto. Muito pelo contrário… ele contava uma história.
Ele contava das noites em que ficou acordado, com seus filhos novos, cuidando da plantação para que as pragas não tomassem conta da plantação.
Ele contava que, havia descoberto uma nova maneira de cultivo que deixa o trigo mais saudável e forte, que permite um tempo de cultivo menor e um produto final com mais sabor.
Ele contava que, o seu arado é diferente, que a sua terra – a mais pura de todas – era importada do mediterrâneo e que, os pães feitos com aquele trigo ficavam irresistíveis.
Hum… assim da até vontade realmente de experimentar aquele trigo.
Nessa época, nasceu o storytelling legítimo.
Hoje, as empresas são resumidas por visão, missão e valores que foram feitos para inglês (leia-se investidores) ver.
Hoje, as empresas vendem produtos commodity, sem história, sem relevância, sem origem, sem sentimento.
Apenas alguns reais, ou alguns centavos, mais dez por cento à vista.
É isso que vendem.
E, como quem vende números, foca em números, a história, o storytelling, o princípio e o sentimento ficam pra trás.
E assim, não são levados em conta, infelizmente.
Produtos e serviços não nascem apenas para “suprir as necessidades” tão faladas em planos de negócios, valuations e declarações de missão.
A missão de uma empresa não deveria ser vender. Deveria ser passar a história pra sempre.
A história precisa ser contada. Se você não contar, seu concorrente vai e, pode até ser que isso te ajude, mas ele, certamente, sempre estará há alguns anos luz na sua frente.
Storytelling.
- Fale-me mais sobre isso – o empresário disse ao estagiário que insistia em tomar o seu tempo.
Eu sempre me deparo com essas definições e ideias de que isso não é lucrativo, que isso não vai trazer dinheiro, que isso não da futuro, “não da sangue”.
Jura? Jura que não da?!?
Quer dizer então quer contar histórias não da futuro para uma empresa? Então por que será que, durante muito tempo as empresas que mais tinham dinheiro eram justamente as empresas que só contavam histórias: a indústria do cinema.
Caramba! Mas que bela lembrança…
Walt Disney, quer um maior contador de histórias?!? Há algumas décadas atrás já fazia storytelling sem nem existir essa definição do termo…
Um dia aprendi que sonhos existem para tornar-se realidade. E, desde aquele dia, já não durmo pra descansar. Simplesmente durmo pra sonhar. Walt Disney.
Mas, vamos ao que eu queria falar sobre storytelling e ainda não falei, que é o mais importante de tudo…
Storytelling é sobre criar uma conexão pessoal entre marcas e pessoas.
Isso mesmo.
Na teoria pode ser até fácil falar em criar uma história para estabelecer conexão entre marcas e pessoas.
Mas, na prática a brincadeira é outra.
Da mesma maneira que existem filmes que dão certos e outros que são um verdadeiro fracasso, em matéria de história o caminho não é só flores.
Criar o storytelling da sua marca está muito mais relacionado com contar as histórias empreendedora de ideias e sentimentos.
É verdade. Storytelling é sobre histórias. Sobre pessoas. Sobre sentimentos, sonhos, desejos e desafios.
Esse, mais dia, menos dia vai acabar sendo o grande diferencial da sua marca. Esse, mais dia, menos dia vai acabar fazendo a diferença no resultado e na maneira com que as pessoas percebem o seu produto e a sua empresa.
No final das contas, a conexão pessoal feita através das histórias pelo storytelling acaba sendo o maior dos fatores de decisão de um consumidor por um produto.
No final da história, o coração, a emoção, a simpatia criado pelo storytelling irá motivar a ação de clientes. E aí, o cérebro, racional e muito esperto, vai só criar uma justificativa praquela ação totalmente passional, totalmente sentimental, totalmente voltada à conexão que uma história cria entre uma pessoa e outra.
Ainda é um grande mito que negócios são feitos analisando dados concretos. A verdade é que a decisão é tomada muito antes da compra e, passamos muito tempo inventando uma desculpa pra decisão emocional que tomamos.
Uma marca tem apenas uma chance de cativar clientes e criar relacionamentos. O storytelling é a ferramenta que da mais retorno sobre isso tudo.
Mas então, por que diabos ninguém faz uso disso?
Na verdade, claro que faz. As grandes empresas que crescem no mundo de hoje têm uma história. Até as grandes corporações da era do ferro fundido estão tirando do fundo do baú histórias empreendedoras e desbravadoras de seus fundadores.
Isso é um sinal.
Sinal de que histórias são a grande sacada.
Não por que contam mentira. Não por que inventam coisas, mas por que são originais, por que são verdadeiras e por que falam sobre vencer obstáculos, sobre ultrapassar limites, sobre vitória.
No fundo é através do storytelling que nascem as marcas; é do storytelling que nascem grandes produtos; é do storytelling que nascem os diferenciais imensuráveis que transformam as empresas.
Essa deveria ser a estratégia de toda empresa, antes mesmo de nascer: storytelling. Contar histórias que despertem sentimentos positivos nas pessoas.
Histórias que mostrem que a sua empresa veio pra fazer a diferença na vida das pessoas e do seu mercado.
Storytelling é sobre criar uma marca. Um marco de que a sua empresa veio fazer a diferença, veio pra mudar e quebrar o status quo.
Caramba… eu tenho certeza, mais do que absoluta que todo empreendedor tem uma puta história pra contar. Só que, no final do dia, ele acaba achando que emoção é careta, que sonho é um troço do passado e que história todo mundo tem, e que ninguém quer saber disso.
Ledo engano.
Storytelling é a única história que funciona.
Em “Todo Marketeiro é Mentiroso”, Seth Godin fala mais ou menos isso. Fala sobre histórias. Em criar histórias como estratégias de marketing.
Eu vou mais longe.
Eu acredito que storytelling é uma estratégia de marca. Ou você faz e a sua marca da certo e a sua empresa faz a diferença.
Ou você não faz, nada com os tubarões e corre o risco de se estrepar.
Simples assim. Até porque estratégia é um troço objetivo. Ou você faz e arrisca dar certo, ou não faz e da errado.
Storytelling é bem assim. É só olhar pras empresas… e ver as referências. Ou você faz e cria a sua própria história e da sua marca, ou vai ser coadjuvante da história dos outros e assistir e participar de uma história que não é sua.
E você, prefere escolher qual caminho?
O das próprias histórias, ou o caminho de coadjuvante?



